Read Sombras de Reis Barbudos by José J. Veiga Online

sombras-de-reis-barbudos

Poderosa Companhia, assim que se instala na Cidade, a todos os seus habitantes impõe regras de conduta e comportamento. A CIA não admite ser minimamente contrariada em suas rigorosas determinações. Dentro em pouco, o pânico e o medo, o terror e desconfiança, dominam o lugar. Ninguém mais pode livremente viver, amar e sonhar. Essas, em linhas sumárias, a tensa e angustiantePoderosa Companhia, assim que se instala na Cidade, a todos os seus habitantes impõe regras de conduta e comportamento. A CIA não admite ser minimamente contrariada em suas rigorosas determinações. Dentro em pouco, o pânico e o medo, o terror e desconfiança, dominam o lugar. Ninguém mais pode livremente viver, amar e sonhar. Essas, em linhas sumárias, a tensa e angustiante história de Sombras de reis barbudos romance de José J. Veiga que conquistou Menção honrosa no Prêmio Nacional de Ficção de 1973, do Instituto Nacional do Livro....

Title : Sombras de Reis Barbudos
Author :
Rating :
ISBN : 9788528603200
Format Type : Other Book
Number of Pages : 588 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

Sombras de Reis Barbudos Reviews

  • Felipe Oquendo
    2018-12-09 01:54

    "É curioso como certas coisas vão acontecendo em volta da gente sem a gente perceber e quando vê já estão firmes e antigas”.Sombras de reis barbudos é um curto romance de José J. Veiga, escritor do interior de Goiás, contador de histórias perante o Eterno, por vocação, natureza e arte, que publicou seus livros mais importantes entre 1960 e 1975. José J. Veiga se distingue de seus pares nacionais pela preferência ou antes afinidade e facilidade que demonstra de lidar com o simbólico, o mágico, o absurdo e o non-sense, num Brasil do realismo naturalista, do romance de tese, da descrição minuciosa à francesa.Esse é o seu traço distintivo: no livro, tudo vai correndo normalmente, com algumas mudanças, é certo, mas até a expulsão do Tio Baltazar da Companhia a narrativa é corriqueira e até mesmo prosaica. A partir da saída da figura de Tio Baltazar, o elemento fantástico entra em cena: os muros, os urubus, os vôos (assim mesmo, com circunflexo desafiando a porcaria de reforma ortográfica) e as proibições.Embora a narrativa siga entremesclada de cenas altamente realistas, inclusive o machadeano capítulo machadeanamente intitulado de “O Caderno proibido”, em que Lucas, o narrador da história, se envolve romanticamente com sua Tia Dulce, enfim, em que pesem os lances prosaicos, sem dúvida alguma é o elemento fantástico que impulsiona a história.A escolha estilística de narrar do ponto de vista de um pré-adolescente que escreve um livro de memórias como passatempo permite ao autor algumas conquistas líricas e formais: em primeiro lugar, uma linguagem simples, envolvente, intuitiva, de quem conta um causo, em que o lirismo está presente na mesma proporção em que a inocência do menino com poucas palavras e muitas emoções procura expressar suas experiências e impressões. Em segundo lugar, e talvez o mais importante, a escolha de um narrador jovem e inexperiente permite ao autor dizer verdades desagradáveis, muitas vezes de passagem, como quem põe uma observação com o último sopro da frase, conseguindo atingir por vezes um tom de sinceridade brutal.O elemento fantástico, no caso específico de Sombras dos Reis Barbudos, é comprometido, talvez, pelo fato de vir da memória de um rapazote, que pode muito bem estar confundindo coisas passadas com imaginadas, o que não ocorre no romance gêmeo deste, “A Hora dos Ruminantes”, onde o autor optou pela narrativa externa de 3ª pessoa. Mas essa desconfiança quanto à veracidade de tão inverossímeis relatos não prejudica o que o autor busca: através do non-sense provocar situações e reações em suas personagens que tragam à tona todas as cores, contradições e complexidades do ser humano enquanto paciente de emoções e sujeito moral. Como nas experiências científicas em que se ressaltam antinaturalmente determinados elementos para obter comportamentos únicos das moléculas ou das cobaias, assim José J. Veiga sujeita suas pobres personagens a sofrimentos, baixezas, humilhações, perplexidades e situações de extrema complexidade moral, obtendo resultados diafanamente naturais, que mais naturais e realistas se tornam com a linguagem despojada e temerariamente inocente em que são narradas, ou antes - contadas. Em outras palavras, através de uma situação em que fantástico e prosaico se misturam, sendo aquele o elemento dinâmico, o autor produz as reações e ações mais humanamente naturais e exatas possíveis. E também o crescimento de Lu, o narrador, quando por exemplo descobre que “a pessoa, qualquer pessoa, é responsável única pelo que faz e pelo que não faz nesta vida; não adianta querer fugir ou se fazer de desentendido. Eu precisava achar o rumo sozinho, ou não achando arcar com as conseqüências”.O que nos leva a outro problema, o do tema: muitos trabalhos disponíveis sobre José J. Veiga concluem rápida e comodamente demais que o autor está tratando da ditadura militar em linguagem simbólica. O próprio José J. Veiga negou isso em entrevista, na qual deu a entender que sua crítica era contra o domínio da técnica (aqui representada pela Companhia) e contra a subserviência e pusilanimidade geral do povo brasileiro. Quanto a esse último ponto, não deixa dúvidas: apesar de as miudezas do dia-a-dia narrado poderem retratar basicamente qualquer qualquer país ocidental daquela época (não há menção a regime político, a gostos culturais específicos, e nem mesmo os onipresentes futebol e samba são mencionados), enfim, apesar de tudo isso, o autor escolhe simbolicamente nomes em tupi-guarani para as cidades mencionadas, inclusive para a cidade assolada pelo domínio totalitário da Companhia.Mas tenho que discordar tanto da crítica esquerdista fácil, quanto do próprio autor – afinal, os autores se enganam muitas vezes sobre suas próprias obras. O que é narrado é uma situação de totalitarismo, do tipo nazista ou soviético para ser mais específico. Não sei se é coincidência simbólica ou genialidade casual, mas o fato de o objeto social da Companhia ser vagamente definido como “de melhoramentos” lembra bastante as constantes, vagas e inalcançáveis promessas com que os governos totalitários logram justificar à população e muitas vezes a si mesmos de que tanto controle e proibição são necessários. Com efeito, o crescimento paulatino das proibições e da violência arbitrários contra os próprios patrícios lembra vivamente as descrições de Stefan Zweig, observando de seu palacete em Salzburgo o outro lado da fronteira, onde todas as noites treinavam, em número cada vez maior, os jovens que futuramente formariam a S. S., a tropa de elite nazista. E assim como na Áustria nada fictícia de Zweig o povo foi simplesmente se acomodando, afastando com risos as “teorias conspiratórias”, até o momento em que a bota nazista esmagou sua liberdade, assim a cidade de Lucas vai sendo subjugada pouco a pouco a um regime de falta de liberdade sem enfrentar qualquer reação séria (afora inócuas pixações de muros), onde a bem dizer as proibições são instituídas apenas pelo prazer de limitar qualquer liberdade, de ver fenecer qualquer veleidade de alegria entre os moradores.Mas ainda não estou satisfeito com essa breve investigação: também a comparação com os regimes totalitários é fácil, e na verdade lendo crônicas de pessoas que viveram sob esses regimes vemos que a imaginação distópica de José J. Veiga não é páreo para o trabalho incansável (o Diabo nunca dorme) das mentes revolucionárias.Estou a pensar agora que talvez a afirmação do pai da obra, de que ela é denúncia do domínio social da técnica, traduza melhor sua natureza: será que ele poderia imaginar que hoje em dia, em plena “democracia”, outras proibições talvez mais absurdas que as da Companhia estariam em voga? Que estaríamos sendo monitorados, conectados constantemente? Que a possibilidade de filmar sem interrupção, por exemplo, ou de patrulhar visitas de sites na internet serviria às perversões de controle total mais inconfessáveis não só de chefes de Estado, como de chefes de empresas, de escritórios, de departamentos e de repartições?E o mundo que descreveu então: sem qualquer liderança, sem qualquer contestação da autoridade, sem possibilidade de comunicação com o mundo externo, sem justiça e sem Deus, esse é o mundo em que, parece, estamos vivendo.A saída para os moradores daquela cidade esquecida dos homens e de Deus é voar: quando a proibição parecia alcançar um nível insuportável – mas lembremos: não há nada insuportável – então os moradores começam a voar. O vôo é, segundo o Dicionário de Símbolos de Chevalier, um símbolo da alma que procura a vida do espírito; por conseguinte, uma alma sedente de vida espiritual avisa dessa necessidade pelo sonho do vôo. Nesse sentido, o que parecia ser um expediente bastante estranho, como que feito para encerrar à força uma inencerrável história, é explicado simbolicamente pelo senhor de branco no final: sonha-se que se voa para fugir à loucura. Trata-se, é verdade, de um Deus Ex Machina, mas é um desfecho muito adequado – dir-se-ia eloquente – para uma obra que tem conexão direta com o inconsciente.

  • Benny
    2018-12-14 23:53

    In 1964 pleegt het Braziliaanse leger een staatsgreep en daalt een duistere nacht van vrijheidsberoving, censuur en geweld neer over het land die twintig jaar zal aanhouden. Geconfronteerd met zo veel onheil gaan schrijvers op zoek naar nieuwe mogelijkheden. Vele Latijns-Amerikaanse auteurs omarmen, vaak vanuit ballingschap, het magisch-realisme. De gruwelijke werkelijkheid vraagt veel magie.Onheil over Taitara is het tweede deel uit een trilogie die begon met Drie plagen van Manirema (1966), maar beide boeken zijn ook afzonderlijk perfect te lezen. De waanzin begint klein, maar neemt toe naarmate het boek (en de rampspoed) vordert. In deze allegorisch coming-of-age-roman voert José J. Veiga vreemde gieren en vliegende mensen op.In dit dromerige verhaal over onschuld en menselijkheid baadt toegankelijke symboliek in een sprookjesachtige sfeer. Bovendien is het erg vlot leesbaar. Dat laatste is ook de verdienste van Harrie Lemmens, een vertaler die binnen ons taalgebied is uitgegroeid tot een kwaliteitslabel.

  • Vívia Alencar
    2018-11-29 01:00

    Mesmo que o autor tenha dito que o livro não é especificadamente uma alegoria para o regime militar, durante a leitura, as ações da famigerada companhia se parecem muito sobre o que eu aprendi sobre a ditadura. Essa história me chamou muito a atenção, mas do meio pro fim as coisas foram acontecendo sem muito rapidamente e sem muita profundidade, e isso me chateou. Mas o fim, mesmo que seja algo em aberto ainda, achei espetacular.

  • André Caniato
    2018-11-15 23:52

    É fácil imaginar como uma simples ideia, se posta em ação, pode mudar toda a vida de uma cidade pequena, principalmente se você já viveu em uma. Em Sombras de reis barbudos, é exatamente isso o que acontece: a Companhia, criada com empolgação pelo tio do narrador e, mais tarde, tomada dele, altera radicalmente a rotina de uma cidadezinha. O protagonista, Lucas, cresce em meio à opressão dessa misteriosa empresa, sobre a qual o leitor nunca chega a descobrir muito, e vê o mundo mudar à sua volta, sem poder fazer muito a respeito. O realismo mágico de José J. Veiga está presente aqui nos mínimos detalhes e, embora eu, com base em resenhas, tenha adicionado o livro à minha lista de leituras de ficção científica, não acredito que cheguemos a abraçar de vez o gênero — com algum esforço, vemos que os assuntos tocados são semelhantes ao de uma distopia, mas não chega a ser uma de fato. Sombras é, isso sim, um romance curto, competente e de narrativa simples (mas não simplória) sobre liberdade, repressão e sobre a vida que segue em um ambiente opressor.